Até quando?
Por Pedro Ferreira Nunes
Movimento Terra Livre
Mais um camponês foi assassinado no extremo norte do país, uma região sem lei ou onde predomina a lei dos latifundiários, que por onde passa “deixa a morte matada” como disse Dom Pedro Calsadáliga.
A morte do companheiro Marcos é a quinta em menos de duas semanas, isso desde que foi aprovado na câmara dos deputados projeto de lei que altera o código florestal brasileiro. Já que como mostra o caderno de conflitos realizado pela CPT todos os anos a violência no campo é uma rotina e não uma exceção.
Em menos de uma semana, outras quatro pessoas foram assassinadas em áreas de conflito de terra no Norte. Três vítimas – o casal José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santos e o agricultor Erenilton Pereira dos santos – moravam no assentamento Paraialta-Piranheira, em Nova Ipixuna (PA). A quarta vítima, o líder do Movimento Camponês Corumbiara, Adelino Ramos, foi morta em Rondônia.
Todos esses lutadores agora mártires, o único crime que cometeram foram de lutar contra o desmatamento da floresta amazônica, os crimes cometidos pelos latifundiários na região assim como lutarem pela reforma agrária de fato nesse país, e que esses latifundiários agora com a aprovação do novo código florestal se sentiram encorajados a cometer esses crimes.
Por tanto o estado brasileiro também tem suas mãos sujas de sangue, são igualmente culpados por esses crimes, pois deram carta branca para que esses crimes acontecessem ou no mínimo são omissos, pois o que podemos dizer quando vimos àqueles que se dizem representantes do povo comemorar no congresso nacional a morte de lutadores e lutadoras do povo. É o mesmo que dizer matem.
Questionamos as autoridades desse país, em todos os âmbitos, nacional, estadual e municipal e nos três poderes legislativo, executivo e judiciário. Até quando aqueles que lutam por um país justo e igualitário serão assassinados, até quando os assassinos ficaram sem punição, até quando o estado brasileiro continuará omisso. Queremos respostas e não justificativas.
“Nessa terra de chacinas essas balas assassinas todos sabem de onde vem” (Pedro Munhoz), por tanto essas mortes não podem ficar impune, assim como tantas outras que caíram no esquecimento sem que ninguém fosse condenado.
E para que essa violência tenha um fim não é só necessária a punição dos culpados mais sobre tudo que o governo assuma e faça uma reforma agrária de fato nesse país, limitando a propriedade rural e atualizando os índices de produtividade, e também barrando o projeto do novo código florestal.
