A Copa do Mundo na periferia da periferia
Embora não haja proposta de obra diretamente relacionada com a copa, os moradores do Jd. Pantanal também vem sofrendo com a Copa do Mundo, pois a região está no caminho Aeroporto de Guarulhos – São Paulo (incluindo Itaquera). Assim como aconteceu com moradores de rua na vinda do Papa para São Paulo, mas com proporções muito maiores, a idéia é “limpar” a região, para torná-la mais agradável aos olhos dos turistas e da mídia internacional.
A principal força por trás disso, porém, não é da FIFA, mas do setor imobiliário, que, com apoio do governo municipal, estadual e federal, vem pressionando a retirada dos setores mais pauperizados dos locais que avaliam que podem gerar grandes lucros com a especulação imobiliária.
Este processo pode ser observado na cidade toda, e é reflexo de uma concepção de cidade que contrapõe o desenvolvimento desta à qualidade de vida dos mais pobres. Isto porque, nesta concepção, desenvolvimento é, na verdade, aumento da concentração de riqueza. Não é à toa que, como apontou a Caros Amigos em reportagem anterior, de alguns anos para cá tem crescido o número de incêndios suspeitos em ocupações em condições mais precárias. No caso de ocupações consolidadas, de alvenaria, fica mais difícil fazer a “limpeza”, e um dos principais pretextos para remoção de moradores destas áreas (mesmo em Zonas de Interesse Social – ZEIS) tem sido a preservação do meio ambiente. O documento “100 Parques para São Paulo”* é um grande exemplo da proposta de cidade que a burguesia tem para nós: uma cidade sem pobres à vista, pois o documento fala da criação de 100 parques sem citar o que fazer com o

s moradores das respectivas regiões.
No caso do Jd. Pantanal, a proposta é construir um grande parque – o Parque Várzeas do Tietê, que, com o pretexto de recuperação do Rio Tietê, irá gerar a expulsão direta de ao menos 7 mil famílias da região (das quais no mínimo 3 mil já estão no vale-aluguel, havendo a previsão de apenas 700 apartamentos a serem concedidos para estas famílias, dos quais saíram apenas 50 em dois anos). Além da remoção destas famílias, sabemos que a especulação imobiliária irá gerar a expulsão indireta de moradores com o aumento no preço do aluguel, do pão, do gás…
Avaliamos que a Copa do Mundo é apenas um pretexto para arrecadação de recursos e criação de mecanismos para aceleração do uso dos mesmos, sem o devido controle social, para a concretização de um projeto de cidade que venha a gerar cada vez mais concentração de renda nas mãos dos mais ricos, especialmente os setores da construção civil e imobiliários, em detrimento dos trabalhadores. E os governos Estadual, Municipal e Federal vem fazendo o jogo de tentar maquiar esta situação e vem utilizando aparatos legais e policiais para realização deste plano.
*http://site.sabesp.com.br/uploads/file/audiencias_sustentabilidade/prog_100parques_sp_12aud.pdf
Thaís M.
Coordenação de Comunicação Terra Livre
Regional SP
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