Terra Livre reafirma o caminho da ação direta e de frentes de luta em seu II Congresso.

O II Congresso do Terra Livre aconteceu, em momento importante da conjuntura política, em Brazabrantes, Goiás, nos dias 30 e 31 de janeiro e 1 de fevereiro.

Delegados e observadores de cinco estados discutiram os rumos da luta diária e reafirmaram a convicção de fazer crescer o movimento, através da ação direta no campo e na cidade. É também necessária a união em frentes com outros movimentos, sindicatos e organizações dos trabalhadores.

Abaixo, a resolução política do Congresso.

À luta!

Carta de Brazabrantes – GO

As Jornadas de Junho de 2013 iniciaram com protestos contra aumentos de passagens nas grandes cidades. Os protestos carregavam ideias progressistas, contra a violência policial, pelos direitos dos LGBTs, Mulheres, Indígenas, pelos direitos sociais (saúde, educação, moradia, etc.), entre outras. A direita, ao perceber o perigo do povo nas ruas, passou a ir para os protestos de forma violenta e, através da mídia, tentou ganhar as massas ou pelo menos manipular o processo, mas não obtiveram êxito.

Com o crescimento da luta dos trabalhadores, a reação da direita também ocorreu, principalmente nas eleições. Este setor já existia, mas agora resolveu aparecer publicamente e defender bandeiras como a retirada de direitos sociais e humanos, a forte repressão da polícia, a intervenção militar, etc. Felizmente este setor não é muito numeroso e se aproveita da corrupção do PT no governo para sustentar as suas mobilizações.

O ano de 2015 inicia com um cenário que aponta para o aumento das lutas na cidade e no campo, a reeleição do PT e a sua frágil condição administrativa, bem como a ampliação do seu arco de alianças, que definiu o aprofundamento da aplicação do receituário neoliberal (corte de investimentos públicos, privatizações, corte de direitos trabalhistas e juros altos).

A continuidade da política habitacional e o retrocesso quanto a política de desenvolvimento agrário evidenciam o compromisso do governo federal com grupos econômicos contrários à classe trabalhadora. O Minha Casa Minha Vida não atende parte da população atingida pela falta de moradia, endivida o povo, fomenta a especulação imobiliária, propicia a tendência de incremento de vazio urbanos, capitaliza grandes construtoras e atenta aos Planos Diretores dos municípios. A escolha de Kátia Abreu para ministra do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) evidencia a aproximação do governo a um setor mais conservador de latifundiários no Brasil, além de Joaquim Levy, ligado aos banqueiros, para o Ministério da Fazenda. Tudo indica que o governo aplicará uma dura política no campo e na cidade contra os interesses da classe trabalhadora, colocando fora do horizonte a Reforma Urbana e Agrária. E o congresso eleito com perfil mais conservador, promete atacar ainda mais os direitos sociais.

Esse cenário pode levar a um processo crescente das mobilizações populares, que será ainda mais potencializada, com a deterioração das condições de vida. A falta d’agua já tem provocado manifestações populares espontâneas em algumas regiões, que indicam que a crise hídrica colocará a classe em movimento, frente aos desmandos dos governos estaduais.

Não temos dúvida que a conjuntura atual está polarizada, podendo pender para os lados da esquerda ou da direita, e vai depender da força de luta que os trabalhadores vão conseguir construir neste ano de 2015. Em Dilma e o PT, não podemos confiar, pois mesmo com uma parte dos movimentos sociais críticos as políticas aplicadas pelo petismo, a sua agenda apresentada demonstrou atender exatamente os interesses daqueles contrários aos interesses do povo. Já houve grandes corte no orçamento e os anúncios são de apertar os cintos e, até mesmo o Plebiscito pela Constituinte da Reforma Política o PT está esquecendo, o que poderia puxar alguma mobilização mais geral dos trabalhadores.

O TL nasceu e cresceu querendo fazer parte de um grande processo de transformações liderado pela classe trabalhadora. E sabemos que a construção do movimento popular no Brasil vai contribuir muito com esse objetivo, por isso, iremos nos incorporar nos processos de lutas nesse próximo período, com definição de incorporação e participação em lutas que estão em curso e se formando:

  • Luta contra aumento das passagens do transporte;
  • Ampliar e apoiar as ocupações no campo (incluindo indígenas e quilombolas) e na cidade;
  • Aprofundar a relação com os movimentos mais dinâmicos na luta social, para o fortalecimento das lutas da classe trabalhadora;
  • Contribuir com o fortalecimento da Frente de Resistência Urbana, articulando outros movimentos de luta urbana (Movimento Passe Livre, Rede Extremo Sul, Comitê Popular da Copa, entre outros) e colaborar para sua constituição nos estados onde estamos presentes;
  • Participar do Encontro Nacional pelas Reformas Populares, com vistas a contribuir na elaboração das propostas e construção da Frente de Lutas nacional, e do Espaço de Unidade de Ação;
  • Participar das Frentes de Lutas contra as opressões (Mulheres, LGBTT, antixenófobas, antirracistas, contra a violência do estado, entre outras);
  • Por uma reforma política plebiscitada por todos os brasileiros, constituída a partir de reuniões de comitês locais, ou seja, pelo povo, pelo fim do financiamento empresarial de campanha eleitoral.

O Terra Livre reafirma assim o seu compromisso na construção de uma sociedade livre da exploração e opressão que nos levará a emancipação humana.

Terra Livre!

Venceremos!

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