DENÚNCIA: ATAQUE DE MILICIANOS AO ACAMPAMENTO MARGARIDA ALVES DO TERRA LIVRE EM JATAÍ DEIXA UM FERIDO

Goiânia, 25 de novembro de 2015

DENÚNCIA: ATAQUE DE MILICIANOS AO ACAMPAMENTO MARGARIDA ALVES DO TERRA LIVRE EM JATAÍ DEIXA UM FERIDO
Milicianos contratados pelo fazendeiro Jorge Dalross, proprietário da Fazenda Campolina, um latifúndio improdutivo, invadiram o acampamento Margarida Alves no município de Jataí realizando vários disparos com armas de grosso calibre e deixaram um ferido em Jataí

No dia 24 de novembro, 22:00, as famílias do acampamento Margarida Alves localizado no município de Jataí, sofreram um atentado contra suas vidas. Vários milicianos invadiram o acampamento realizando disparos com armas de grosso calibre e deixaram ferido o acampado Edmilson Braz de Oliveira, vulgo Pereira, militante histórico do Terra Livre. O companheiro foi encaminhado para a emergência do SUS e está internado.
As informações que temos até o momento revelam que uma caminhonete com vários milicianos armados com revólveres e espingardas de calibre .12 alvejaram o acampamento. Enquanto as famílias se deitavam no chão para se proteger, o acampado Edmilson Braz não conseguiu se esquivar e foi atingido na cabeça por projéteis de chumbo disparados pela espingarda. Enquanto os milicianos atiravam, eles também gritavam: “perdeu sem-terra”, “vagabundos”, etc.
Cobramos das autoridades de segurança pública a apuração e punição do mandante e dos executores. É importante destacar que a constituição de milícias é crime. Também cobramos do INCRA e do MDA a tomada de providências urgentes. A morosidade no encaminhamento do processo de reforma agrária e de vistoria da área com o fim de desapropriação e assentamento de centenas de famílias na região são incentivos indiretos à ação de criminosos como os que atacaram o acampamento Margarida Alves.
O ataque ao acampamento Margarida Alves é uma agressão à luta do Movimento Popular Terra Livre por reforma agrária. A luta na região começou no dia 08 de novembro de 2015, há mais de um ano, quando as 200 famílias do acampamento Margarida Alves, ocuparam a fazenda denominada Campolina. Uma área que possui, aproximadamente 2.000 hectares e situada em Jataí, na saída para Mineiros (aproximadamente 350km de distância de Goiânia). Trata-se de uma área que foi sequestrada pela justiça em favor do Banco do Brasil e da Fazenda da União. Neste caso, a fazenda não pode retornar ao seu antigo dono, o senhor Jorge Dalross, mas deve ser levada à leilão judicial com o objetivo de recuperação dos ativos financeiros.
É importante destacar o papel desempenhado pela polícia nestes eventos. Durante a ocupação, o fazendeiro Jorge Dalross foi até a ocupação na fazenda. Naquela ocasião, o fazendeiro foi até o acampamento junto com a polícia ameaçar as famílias. A polícia esteve presente mesmo sem existir qualquer ordem judicial indicando o despejo das famílias. Na ocasião, o Movimento Popular Terra Livre encaminhou denúncia à Ouvidoria Agrária Nacional do INCRA. Após a denúncia, o Desembargador José Germino Filho solicitou, junto ao comando da Polícia Militar, a tomada de providências para se resguardar a integridade física das famílias e a manutenção de seu legítimo direito de lutar por reforma agrária.
Infelizmente, as coisas parecem não ter mudado. Após os episódios ocorridos na noite de ontem, quando militantes do Terra Livre foram registrar o Boletim de Ocorrência, a escrevente responsável por fazer o registro afirmou que isso era apenas consequência da “invasão” de terras alheias e que os milicianos estavam corretos.
Entendemos que nossa luta é justa. A fazenda Campolina além de não cumprir a função social da terra, está sequestrada por débitos do seu antigo proprietário. Assim, a ocupação desta terra para reivindicar a reforma agrária é uma luta legítima. O mandante do crime não pode usar força própria para ameaçar e oprimir famílias que lutam por algo legítimo. Por uma reforma Agraria Ampla e Massiva!
Saudações Campesinas,

Direção Estadual do Terra Livre de Goiás

FOTO: CPT

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