GOVERNO TEMER: UMA PONTE PARA O ABISMO

De: MOVIMENTO POPULAR TERRA LIVRE- GO

GOVERNO TEMER: UMA PONTE PARA O ABISMO.


A turma dos “coxinhas” de  bate  panela aqui, bate panela ali; pato aqui, pato acolá; de pixuleco em pixuleco, viraram a mesma . Em outras palavras: às vezes as coisas precisam mudar, para tudo continuar do mesmo jeito.

As mudanças prometidas até agora são para pior. A tal “ponte para o futuro” é na verdade uma “ponte para o abismo”.

O novo governo Temer já nasceu velho, um governo ilegítimo, surgido de um golpe parlamentar de um congresso formado, majoritariamente, por picaretas e achacadores, liderados por Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Boa parte deles estão envolvidos em escândalos de corrupção, e não tiveram dificuldades para aprovar o afastamento de Dilma, pois o governo da presidenta se mostrou um governo fraco, com baixa popularidade, e envolto por diversas denúncias de corrupção, reveladas pela operação Lava Jato.

O PT trocou seus velhos companheiros por novos amigos e esses os traíram na primeira oportunidade. O círculo do PT, após 13 anos, chegou ao fim, ele mesmo cavou sua própria sepultura. Resta saber se o PT vai fazer uma auto crítica sobre seus erros, ou vai se enterrar vivo. Isso porque optou por alianças cada vez mais à direita, usou os mesmos modos operantes das velhas oligarquias, aplicou políticas neoliberais – similares a governos de direita – não fez nenhuma mudança estrutural, distribuiu apenas migalhas para as classes populares e médias com a política de transferência de renda.

A política de conciliação de classe levou o PT para o precipício e os outros setores da esquerda para antessala do precipício. O partido, ainda fez de tudo para manter as relações com seus novos amigos, e estes viraram a mesa. Com isso, não houve nenhum esforço para avançar com a Reforma Agrária, Reforma Urbana, Reforma Política, auditoria da dívida pública, regulação da mídia e taxação das grandes fortunas. Isso porque o PT não quis enfrentar seus novos amigos, abandonou seus velhos companheiros a própria sorte, a não ser aqueles que durante esses anos se locupletaram com corrupção e altos salários na máquina do Estado.  Seu projeto naufragou em águas profundas. Desse modo, é preciso construir uma alternativa de esquerda ao “lula-petismo” para combater a direita.

As política neoliberais que vinham sendo implementadas, não mais contemplava os setores empresarias. O PT optou por um modelo de privatização chamado de “concessões”, que faz o controle da taxa de lucro dos capitalistas. Isso não é o bastante para os grandes empresários, pois precisam da privatização clássica. Como estes não conseguiram controlar a polícia federal, deixaram com que não só quadros do PT “caíssem na malha fina”, como também os grandes executivos das empreiteiras, que sempre foram os corruptores financiadores das campanhas. Assim, isso levou o setor da burguesia para a desmoralização.

Outro aspecto do governo Temer, é que sua equipe ministerial se parece mais com uma quadrilha do que com uma equipe ministerial. Não tem uma mulher e nenhum negro, sendo que esses setores são a maioria da nossa população. Podemos, então, chamar essa composição de “machistério”. Essa “quadrilha ministerial” é formada por homens brancos e conservadores, de alto poder aquisitivo. Além disso, entre os 23 ministros, 9 tem envolvimento na operação Lava Jato. Vê-se, então, que saíram as raposas e entraram os lobos. Não sendo suficiente, logo de cara Temer diz que vai fazer a reforma da previdência, estipulando idade mínima e aumentando as idades para quem vai aposentar. Outras medidas são reeditar a CPMF, e fazer a reforma trabalhista, ampliando a terceirização e, consequentemente, a precarização do trabalho. Diante dessa situação, uma pergunta deve ser feita: o que a “turma das panelas” e “do pato” vai fazer? Ocupam às ruas pra protestar contra a corrupção, mas não se pronunciaram em relação à nomeação de ministros envolvidos na operação Lava Jato. Quer dizer que isso pode?  Ou seja, combate a corrupção seletiva.

O governo Temer, ainda, com a história de reduzir custos, diminuiu de 33 ministérios para 23; extinguiram, entre eles, os ministérios da Cultura e da Reforma Agrária. Esses dois ministérios, ao longo dos anos, se consolidaram na execução e formulação de políticas públicas para os referidos setores. Há uma enorme demanda social que justificava a existência desses ministérios. A proposta de acabar com os dois ministérios é, na verdade, uma posição ideológica, pois em torno dos dois ministérios estão os setores organizados. Por um lado estão os movimentos do campo que, ao longo dos anos, vem protagonizando grandes lutas pela Reforma Agrária em nosso país, e tem se posicionado claramente contra o Impeachment, embora fazendo críticas à política econômica e de Reforma Agrária do governo da Dilma. Do outro lado estão os artistas, tantos os populares, quanto os artistas de renome nacional, que se posicionaram contra o impeachment. A extinção desses ministérios é um grande retrocesso, pois estes precisariam de mais recursos, mais estrutura e servidores. Além disso, é provável que o Incra deva ser esvaziado. Com isso, é possível que a política de Reforma Agrária deva ser abandonada, algo que já vinha se arrastando com o governo Dilma.

O grau de conservadorismo e pro agronegócio,  é tão patente que retiram do Incra a responsabilidade de regularização de territórios quilombolas transferindo para o Ministério da Educação (MEC). O MEC não tem nada a ver com esse tipo de demanda, o que provou que essa medida foi apenas uma maneira para que o partido DEM tivesse o controle da situação. Além do mais, criaram uma secretaria só para executar as privatizações, a ordem é privatizar tudo. Prometeram, ainda, acabar com os programas “Farmácia popular” e com o SAMU, reduzir o papel do SUS.  Isso vai ser um verdadeiro desmonte, pois dizem que manterão os programas sociais, mas é só na retórica, porque esses programas possuem forte apoio popular. Ademais, os ministros do PSDB, DEM e outros, sempre combateram esses programas, que eram algumas medidas do governo do PT que beneficiavam a população pobre. Para fechar com chave de ouro, Temer extinguiu o Ministério da Controladoria Geral da União, que se firmou nos últimos anos fazendo um trabalho de fiscalização e controle, que resultou em inúmeras operações da PF em relação aos desvios de verbas públicas federais, repassadas para prefeitura e governos de Estados.

É possível que a repressão e a criminalização aos movimentos sociais aumente, pois o governo Temer recriou o Gabinete de Segurança Institucional, nomeando para a pasta um general do Exército. Segundo consta no histórico familiar desse general, seu pai foi na época da ditadura militar chefe da chamada “Casa da Morte”, local onde os presos políticos eram assassinados.

Diante da nova realidade, teremos que buscar o máximo de unidade para combater o governo ilegítimo de Michel Temer e sua turma. Não podemos esmorecer jamais. Devemos levantar nossas bandeiras para lutar por “Fora Temer: novas eleições gerais já! Nenhum direito a menos!”. Os trabalhadores rurais e urbanos devem conversar em cada local de trabalho, acampamento e assentamento, sobre a nova conjuntura de ataque ao nossos direitos. Não podemos deixar que eles roubem nossas conquistas!

Direção Estadual do Terra Livre – GO.

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