Nota de repúdio às práticas espúrias da política habitacional de Luciano Cartaxo, João Pessoa – PB

O Movimento Popular Terra Livre repudia veementemente a prática da Prefeitura de João Pessoa, pela Secretaria de Habitação (Semhab), de comprar as lideranças de nossas ocupações através de vantagens indevidas. Agora aconteceu na Ocupação Capadócia, no Treze de Maio, onde moram 80 famílias. Para desmobilizar e causar conflitos internos no movimento coletivo de luta por moradia feito por esta comunidade, a Semhab entregou apartamentos dos empreendimentos do Minha Casa Minha Vida para três famílias de lideranças da ocupação, e mais uma de parentes de uma delas, justamente em um momento de negociações, deixando as outras dezenas de famílias revoltadas e sentindo a injustiça de ver um acordo às escondidas, por fora das discussões em assembleia.

Não é a primeira vez: há dois meses, entregaram três apartamentos a lideranças da ocupação Mulheres Guerreiras do Vista Verde em troca do esforço destas pessoas em desmobilizar e desocupar os prédios, mesmo que dezenas de famílias ficassem na rua – felizmente essa tática suja não deu certo, as 250 famílias vão resistir e terão que usar a violência policial para despejá-las. Na ocupação Tijolinho Vermelho (2013-2016), no centro da cidade, entregaram três apartamentos a lideranças, entre elas a um homem novo, solteiro e sem filhos, que tentou a todo o custo acabar com as assembleias da ocupação, intimidar outras lideranças e apoio externo e tirar proveito dos outros moradores – também não conseguiram acabar com o movimento e o Tijolinho Vermelho conquistou a moradia, nenhuma família ficou na rua. Na ocupação Terra Nova, no Alto do Céu, é comum o contato da Semhab para que lideranças façam ações por fora da organização coletiva em assembleias das famílias, para que a Prefeitura não tenha que enfrentar a realidade das ocupações e a organização dos sem-teto – talvez estejam oferecendo apartamentos também?

A Semhab diz o mesmo papo de sempre: usamos critérios sociais e sorteio, não podemos entregar apartamentos para ocupações inteiras, tem uma fila muito grande de pessoas nos cadastros da prefeitura. Mas então, como se explica o fato de serem lideranças a receberem os apartamentos? E todos aqueles que receberam totalmente fora dos critérios sociais? E os acordos feitos por telefone para desmontar o movimento? Ora, eles têm controle de todos os dados e vão poder desmentir sempre, mas a população sabe muito bem quantos destes apartamentos são loteados entre parlamentares e candidatos, cabos eleitorais e babões de todas as espécies. Todos conhecem o sistema de clientelismo que os políticos usam fartamente em toda a Paraíba para manter o seu poder. Também vão desmentir o uso de servidores públicos contratados para trabalharem obrigatoriamente nas campanhas eleitorais, aos milhares, sob ameaça de serem demitidos?! – todos sabem que isso ocorre e o TRE e ministérios públicos são coniventes com essas práticas.

Em ano eleitoral, Luciano Cartaxo vai usar da forma mais demagógica a entrega de apartamentos, como se fosse um santo remediando os miseráveis, mas não reconhecem as ocupações, fenômeno cada vez mais comum e necessário para grandes massas de sem tetos. Não é Cartaxo que está dando nada, moradia é um direito! Ele é do grupo político de Aguinaldo Ribeiro, paraibano que há muitos anos esteve a frente da política habitacional brasileira e é líder de governo do presidente farsante Michel Temer – justamente o grupo que está acabando com as políticas sociais do país. Agora, Socorro Gadelha, ex-secretaria de Habitação de João Pessoa, foi promovida para Brasília. Esse grande esquema clientelista que vem desde a quadrilha de Brasília, passa por acordos com as construtoras, por políticos e babões locais, e se utiliza de uma política social de grande necessidade da população pobre, é extremamente nocivo a para o futuro habitacional de milhares.

Se eles querem uma propaganda para as eleições se aproveitando da pobreza, terão a resposta do movimento do povo livre, com protestos que vão mostrar a realidade do deficit habitacional que não reduz na cidade. Ou dialoga com os movimentos, ou terão a resposta nas ruas!

Se não pode com a formiga, não assanha o formigueiro!!!

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