19 de novembro de 2018
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Dez anos da Desocupação do Sonho Real em Goiania

Massacre do Sonho Real completa 10 anos de impunidade

Nesta segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015, completam-se 10 anos da Operação Triunfo, que despejou mais de 3 mil famílias de suas casas na Ocupação Sonho Real, no setor Parque Oeste Industrial, em Goiânia. A operação, comandada pela Polícia Militar do Estado de Goiás, resultou na morte direta e reconhecida de dois moradores, Pedro Silva do Nascimento e Wagner Moreira da Silva e incontáveis danos físicos, psicológicos e materiais para cerca de 14 mil moradores da área. Até hoje nenhuma autoridade foi judicialmente responsabilizada pelo ocorrido.

Nos 10 anos que se passaram desde aquele dia trágico, no entanto, não cessou a luta pela punição de agentes do estado pelos atos de terrorismos praticados contra aquelas pessoas que lutavam por seu direito à moradia. Em 2014, depois de nove anos de briga judicial pela federalização das investigações, o “Caso Parque Oeste Industrial” foi arquivado na justiça estadual, sendo considerado que “não houve excesso por parte dos policiais” que atuaram no despejo.

Diante da decisão do Ministro Jorge Mussi, do Superior Tribunal de Justiça, de não federalizar este e outros casos de atrocidades cometidas por agentes do estado em Goiás, defensores dos direitos humanos recorreram à justiça internacional. Em outubro do ano passado, foram à Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, denunciar falhas nos julgamentos e solicitar visita da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA a Goiás e a realização de monitoramento internacional sobre a atuação das forças de segurança contra a população.

A Operação Triunfo foi o maior exemplo dado pelas autoridades no poder em Goiás sobre os valores que eles querem ver operando neste estado: para eles, a propriedade privada vale mais do que a vida; para eles, a organização do povo deve ser minada e desvalida em favor dos grandes investimentos privados; para eles, toda artimanha e corrupção vale para acobertar seus mal-feitos, suas atrocidades, sua ganância; para eles, o povo deve ser servil e agradecê-los por cada migalha oferecida depois de destruídos seus Sonhos.

Hoje, o governo do estado quer que o Setor Real Conquista seja uma pedra sobre a memória da luta por moradia em Goiás. Apesar de ter sido construído como uma espécie de indenização para as vítimas do Massacre do Sonho Real, famílias que depois do despejo e da destruição de suas casas passaram aproximadamente 3 anos resistindo em ginásios e acampamentos para garantir seu direito, as casas do setor são entregues pelo governador Marconi Perillo como presentes do estado, sem nenhuma menção a todo o processo de violência e luta pelo qual essas pessoas passaram.

No local onde se situava a ocupação destruída, está em construção um dos maiores  condomínios verticais da América Latina, um investimento milhonário que promete ser altamente lucrativo, conforme as leis da especulação imobiliária, muito mais adequado a uma área tão bem localizada na cidade. Tudo indica que o sangue inocente de trabalhadores que foi derramado naquela terra pouco importa para esses investidores e para os que ainda hoje estão no poder, mas ele é símbolo da luta do povo pelo direito à cidade, contra a exclusão e a desigualdade. É também em memória dos companheiros tombados que seguimos em busca de nossa dignidade e por justiça.

Exigimos que o estado respeite todos os direitos conquistados dos trabalhadores e trabalhadoras. O dia 16 de fevereiro será sempre lembrado e vivido como um dia de luto e de luta pelo povo de Goiás. O Sonho Real vive.

Eronilde da Silva do Nascimento – Instituto Memória e Resistência Pedro do Nascimento

Memória
– Saldo do Massacre do Sonho Real (Operação Triunfo – PM-GO): 2 vítimas fatais (oficiais), 40 feridos a bala (um paraplégico), 800 pessoas detidas.

– Após a Operação, várias pessoas foram tidas como desaparecidas, sendo levantadas suspeitas de mais vítimas fatais não identificadas.

– Durante a estada em ginásios e no acampamento provisório, após o despejo, várias pessoas morreram por condições insalubres de vida, somando um total de mais de 20 mortes até a entrega das primeiras casas no Real Conquista.

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